A revisão da norma de gestão de risco, ISO 31000, já começou

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ISO 31000

A revisão da norma de gestão de risco, ISO 31000, já começou

Reduzir, antecipar e gerir o risco faz parte da labuta diária para organizações que integraram a gestão no risco na sua estratégia de negócio. É por isso frequente recorrerem à ISO 31000, sobre gestão de risco, para apoiar esta tarefa.

As normas ISO são revistas a cada cinco anos e a ISO 31000, bem como o seu Guia 73 sobre a terminologia de gestão de risco não são exceção. Ao lançar o processo de revisão, o grupo de trabalho ISO/TC 262/WG 2, responsável pelo desenvolvimento das normas de gestão de risco, reuniu de 3 a 9 de Março de 2015 em Paris – sob a alçada da AFNOR, o membro ISO francês – para discutir quais as alterações necessárias. Aqui, Kevin Knight, presidente do grupo ISO/TC 262, deu-nos os detalhes.

A ISO/CD 31000, Risk management – Principles and guidelines, e o Guia 73 ISO/CD, Risk management – Vocabulary, estão a ser revistos. Porque era esta revisão necessária?

Com o passar do tempo, um grande número de gestores de risco indicaram que a ISO 31000:2009 necessita de uma revisão limitada para assegurar que se matinha relevante para os seus utilizadores. Como resultado, o Guia ISO 73:2009 necessitará de uma revisão no que diz respeito a alterações efetuadas nos termos e definições que são utilizados na ISO 31000, ou termos e definições adicionais, considerados necessários para ajudar os utilizadores com a sua própria documentação.

Por outras palavras, é importante que ambos os documentos sejam revistos ao mesmo tempo?

Sim. Todos os termos e definições na ISO 31000 estão contidos no Guia ISO 73, portanto, qualquer alteração nos termos e definições da ISO 31000 deve ser idêntica em ambos os documentos.

Quais são os pontos principais da revisão? Como são o conteúdo e a linguagem atualizados?

Muitos viram esta revisão limitada como uma oportunidade para procurar mudanças maiores que refletem a necessidade de grandes empresas e governos para um documento de alto nível. Como consequência, o ISO/TC 262/WG 2 teve de lidar com o total de 656 comentários na reunião de Março de 2015 em Paris. Apesar de terem completado a tarefa, demonstrou-se a necessidade para desenvolver uma especificação de design (ED) que esboça as linhas gerais de assuntos adicionais que deverão ser abordados no seguimento da análise dos comentários de Paris. A ED irá, com certeza, ser sujeita à aprovação pelos membros participantes da ISO/TC 262 de modo a prosseguirmos.

As primeiras edições da ISO 31000 e do Guia ISO 73 foram publicados em 2009. Que retorno tiveram desde essa altura, dos utilizadores dos documentos, e como é que esse retorno foi tido em consideração para o processo de revisão?

A ISO 31000 foi adotada como uma norma nacional em mais de 50 organismos nacionais de normalização, abrangendo mais de 70% da população mundial. Também foi adotada por um grande número de agências das Nações Unidade de governos nacionais, como base para desenvolverem as suas próprias normas e políticas relacionadas com o risco, especialmente em áreas de redução do risco de desastre e gestão do risco de desastre.
O vasto uso da ISO 31000:2009 suscitou uma série de questões de vários especialistas, com os organismos de normalização nacionais e a ISO a procurar clarificação em alguns pontos da norma. Esses pontos, combinados com o feedback dos comités nacionais correspondentes, indicaram a necessidade de providenciar uma melhor clarificação em algumas áreas.

Os gestores de risco expressaram também uma necessidade, especialmente nas economias G20, para um documento de alto nível que reflita a forma como o risco é gerido nas organizações multinacionais e governos nacionais, bem como a forma como a gestão de risco deve ser incorporada no governo e nos sistemas de gestão das organizações.
Como está, a ISO 31000 é um guia genérico, que se tem vindo a revelar muito útil em países em desenvolvimento e pequenas e médias empresas. Contudo, existe a necessidade para algo mais substancial do que as linhas guia contidas no Anexo A da ISO 31000:2009 para ajudar organizações a seguir em frente, e é isso que a ISO/TC 262/WG 2 está de momento a fazer.

O que irão as novas edições mudar para os utilizadores destes documentos?

A revisão limitada da ISO 31000 irá providenciar uma maior clareza aos utilizadores, ou assim esperamos.

Quais são os próximos passos da revisão?

Isso irá depender do trabalho a ser feito pela ISO/TC 262/WG 2 desde a reunião em Paris para desenvolver a recomendação para a ISO/TC 262. Há duas possibilidades:
1.A ISO/TC 262/WG 2 finaliza a revisão limitada da ISO 31000:2009 sob a forma de um Rascunho de Norma Internacional (RNI) e envia-o para votação; é então revisto profundamente para desenvolver uma especificação de design para uma Proposta de Novo Item de Trabalho (PNIT) para uma norma de alto nível de gestão de risco; ou
2.A ISO/TC 262/WG 2 procura a aprovação do comité técnico para parar a revisão “limitada” e seguem diretamente – com os resultados obtidos até agora – para uma revisão “técnica”. Isto necessitará de uma especificação de design (ED) que irá delinear os assuntos a ser abrangidos, para além daqueles que já foram atingidos. Um grupo da ISO/TC 262/WG 2 tem até ao final de Junho de 2015 para desenvolver a ED para comentário e depois submissão a votos do comité técnicos dos membros participantes, acompanhado pelo mais recente Rascunho do Comité (RC) da ISO 31000.

Qual é a data alvo da publicação?

Irá depender muito do resultado das propostas apresentadas acima. Na eventualidade da primeira proposta ser adotada, esperaria que a edição revista da ISO 31000 fosse publicada a meio de 2016. No outro caso, esperaria ver a publicação da norma resultante no final de 2017.

01.06.2015
Fonte: iso.org


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