Imagine o cenário. Terça-feira, 4 de agosto, 9h40. A administrativa abre o computador e os ficheiros do servidor apresentam todos uma extensão estranha. No ecrã, um aviso: os dados estão cifrados e o resgate é solicitado em criptomoeda. O responsável de TI está de férias, o gerente está fora do país e a única pessoa no escritório não sabe se deve desligar o servidor, ligar à polícia ou pagar.
Este cenário repete-se todos os verões em empresas portuguesas. E a diferença entre um susto de meio dia e um desastre de três semanas raramente está na sofisticação do ataque. Existe, ou não, um plano escrito antes do incidente?
O pânico custa mais do que o ataque
Nos primeiros sessenta minutos de um incidente, cada má decisão multiplica o prejuízo. Desligar as máquinas erradas destrói evidências úteis à investigação. Não isolar o incidente deixa o ataque alastrar ao resto da rede. Comunicar mal com os clientes transforma um problema técnico num problema de reputação. E ignorar o prazo de 72 horas para avaliar a notificação à CNPD transforma um incidente informático num processo de contraordenação ao abrigo do RGPD.
Sem um plano, quem está no local de trabalho no momento improvisa. E improvisar em pânico é a forma mais cara e danosa de gerir uma crise.
“Nos primeiros sessenta minutos de um incidente, cada decisão errada multiplica o prejuízo.”
O que a norma estrutura
A ISO 27001 organiza a resposta a incidentes numa sequência que qualquer PME pode adotar, com ou sem certificação. Primeiro: detetar e reportar. Todos os colaboradores, incluindo os temporários de verão, sabem o que é um incidente e a quem o comunicam, com uma regra simples que resolve as incertezas: na dúvida, reporta-se.
Próximo passo: conter. Existe uma lista curta e pré-aprovada do que fazer nos primeiros minutos, que passa por isolar o equipamento da rede sem o desligar e registar tudo o que se viu e fez.
A seguir: comunicar. Está definido quem informa a gerência, quem fala com os clientes e quem avalia a obrigação de notificar a CNPD, sempre com contactos alternativos, porque as férias existem.
Por fim: recuperar e aprender. Backups testados de verdade, com restauros feitos e verificados, e uma análise fria do que falhou para que se evite cair na mesma armadilha no futuro.
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O detalhe em que quase todas as empresas falham
O plano não pode viver na cabeça do responsável de TI nem num ficheiro guardado no servidor. Se o servidor está bloqueado e o responsável está incontactável, o plano simplesmente não existe. É necessário ter uma cópia impressa, contactos atualizados e pelo menos duas pessoas que o leram e compreenderam. Parece básico e é básico, mas é exatamente por isso que quase ninguém o faz.
Uma hora de preparação em julho vale mais do que uma semana de crise em agosto. Antes de fechar para férias, reúna a equipa, defina a sequência, imprima e distribua.
Quem preferir partir de uma base já estruturada encontra na nossa checklist de segurança para o verão a secção de resposta a incidentes pronta a adaptar. E se a conclusão for que chegou o momento de tratar da segurança como se trata da faturação, com sistema e não com sorte, é exatamente esse o trabalho que a Vexillum faz todos os dias pelos seus clientes. Sem drama e sem burocracia.

